Agricultura Familiar na Região de Marabá, práticas sustentáveis.

22.04.2015

 

A sustentabilidade dos sistemas de produção da Agricultura familiar é o assunto do momento. Para entender a encruzilhada na qual se encontra a agricultura camponesa precisamos entender as fases da sua história no sudeste paraense, marcadas por desafios, e apontar suas práticas e as tecnologias de bases agroecológicas que podem indicar oportunidades promissoras.

 

 

 

 

 

É necessário resgatar as práticas de sustentabilidade da Agricultura Familiar Camponesa. “Esquecidas” por causa das condições históricas da luta pela terra e, difundir tecnologias promissoras de sustentabilidade que podem permitir o estabelecimento definitiva de uma Agricultura Familiar como proposta de desenvolvimento sustentável para a Amazônia Oriental.

 


    1. Resgate das práticas promissoras de sustentabilidade

 


1.1. Consorcio de culturas: no espaço

 

A agricultura familiar se caracteriza pela diversificação da sua produção. Qualquer sistema de produção da agricultura familiar já nasce com culturas e criações consorciadas. O conjunto da roça parece salada de legumes, o do sitio a redor da casa, uma salada de frutas, o terreiro da casa parece uma arca de Noé de tanto bicho que tem.

 

O consorcio de culturas anuais(roças)s ou permanentes(sitio) já é uma prática corriqueira da Agricultura familiar: o sistema precisa ser melhorado incorporando espécies de melhoramento do solo(leguminosas) ou de cobertura do solo para sombra ou cobertura morta.

 


1.2. Rotação de culturas

 

A pecuarização da agricultura familiar tem também sua origem na questão da ultima utilização dos recursos naturais da mata. Até hoje, toda fertilidade dos sistemas de produção da agricultura familiar vem ainda da fertilidade da floresta nativa, tendo como último recurso a implantação de pastos. Será que essa situação não chegou nesse ponto apenas por falta total de opção? Não se trata aqui de crise da pecuária mas de crise da manutenção de espaço para renovação/sustentação da fertilidade: é a crise da capoeira!

 

O sistema de rodízio, da roça “itinerante” deve ser analisado, incluindo o estudo da capoeira como componente desse sistema de rodízio. Há suspeita de que, hoje, o sistema de produção e de manutenção da fertilidade vem da crise (ausência da capoeira) que, foi substituída pela implantação de pastagem, portanto, é necessário restabelecer a pratica do manejo da capoeira.

 


1.3. Plantio direto

 

O plantio direto com a plantadeira manual(catraca) é amplamente utilizado no plantio da roça no toco após a queimada. Esse plantio direto com catraca pode ser utilizado também para plantio de essência florestal para enriquecer a degenerescência natural da mata nativa


A Abafada: consiste em jogar sementes de forma avulsa e “abafar” esse plantio, roçando a capoeira sem queimar. Essa prática da Agricultura Familiar para, principalmente, proporcionar produção de feijão no período chuvoso já é utilizada para implantação de plantio direto, para adensamento por essências florestais (açaí, cupu, mogno, paricá) no reflorestamento das Áreas de Proteção Permanente (APP´s) “ciliares”.

 

1.4. Organização comunitária

 

Uma ampla rede de relações entre os agricultores de uma mesma localidade é mantida muito viva na oportunidade dos diversos mutirões, adjuntos, trocas de dias, festas regulares ou eventos da comunidade ocasionados pelas associações; essas redes comunitárias permitem um forte sistema de dialogo e trocas de informações entre os agricultores; essa situação de troca de informação é reforçada pelas formas de capacitação e informação conduzidas pelos intencionistas da ATER/ATES.      

 


1.5. Conhecimento por intercambio


As várias tentativas de produzir para melhorar sua qualidade de vida oferecem ás famílias da Agricultura Familiar um vasto acúmulo de experiências e conhecimentos; a situação e a gestão atual do estabelecimento são frutos da melhor solução possível que tem os assentados nas condições e possibilidades atuais. O acúmulo de práticas dos assentados vai alem das suas experiências individuais, pois é enriquecido pelas trocas de conhecimentos entre agricultores e de informações externas á Agricultura Familiar.

 



    2.Tecnologias promissoras de sustentabilidade

 

2.1. Implantação de sistemas agroflorestais


A implantação de sistemas agroflorestais (SAF) já é uma necessidade da qual os agricultores estão convencidos, no planejamento do Colegiado de Desenvolvimento do Território da Cidadania do Sudeste do Para-CODETER foram apontadas quatro áreas prioritárias de SAF´s de uso múltiplo:

 

a) Reflorestamento da Reserva Legal

b) Recuperação das Áreas de Preservação Permanente

c) Implantação de pomares caseiros

d) Instalação de sistemas silvopastoris.

 

O grande desafio dessa implantação ainda é a logística das bancas de semente de essências nativas, a logística das estradas e o monitoramento da Assistência Técnica.

 


2.2. Uso de adubação verde

 

O zelo para manter a conservação e a fertilidade dos solos a partir de adubação verde já é uma pratica antiga da agricultura camponesa com o uso da capoeira. A renovação da matéria orgânica pela massa das folhas e a eliminação de gramíneas pelo sombreamento são bem conhecidas dos agricultores e, essa pratica precisa ser reforçada pela tecnologia de adubação verde em especial com implantação de leguminosas tem uma dupla utilidade: alimentação de proteína para os animais e captação de nitrogênio para o solo.

 

Nota-se a implantação por agricultores de "cerca viva" principalmente com objetivo de quebra vento, sombreamento e até alimento animal. Os plantios mais comuns são de sabia, cajá e gliricidia.

 

2.3. Métodos alternativos de controle e manejo de insetos

 

Apesar de ser uma pratica muito antiga, a tecnologia de métodos de controle e manejo de insetos como pragas é muito recente devido os efeitos colaterais para o meio ambiente e a saúde humana da utilização de defensivos agrícolas; os métodos alternativos são o Controle biológico que consiste em utilizar o equilibro entre predadores naturais das insetos pragas ou em utilizar plantas como repelentes ou inseticidas seletivos.

 

2.4. Emprego de microorganismos na agricultura: a fauna da vida do solo
 

É muito conhecida a importância dos microorganismos para a conservação dos solos e sua fertilidade. A relação planta/solo se realiza de maneira sustentável e consolidada, se, tiver forte presença de microorganismos que transformem os nutrientes disponíveis para a planta, os minerais do solo e, principalmente transformar a matéria orgânica. As tecnologias de emprego de microorganismos são pouco conhecidas e pouco divulgadas na agricultura familiar. Uma nova revolução verde está nascendo.

 

2.5. Emprego de compostagem e vermicompostagem

 

Todas as considerações e pressupostos expostos demonstram a complexidade da Agricultura Familiar, para quem pretende entender e compreender a sua realidade: cada um dos seus elementos históricos, econômicos, sociais e políticos devem ser contemplados para a construção de suas referencias:

 

a) grande é o desafio para o pesquisador que pretende construir índices sócio-econômicos com seus correspondentes indicadores,

 

b) árdua é a tarefa da Assistência Técnica e Extensão Rural que pretende propor e acompanhar inovações nos sistemas de produção existentes,

 

c) desafiadora é a responsabilidade para o gestor das políticas públicas que pretende estabelecer melhorias de qualidade de vida para as famílias do Campesinato e

 

d) alto é o compromisso e imensa deve ser a competência dos Movimentos Social para responder a altura do futuro da Agricultura Familiar do Sudeste Paraense.

 

 

Texto de Emanuel Wambergue e Adriana Araújo.

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Eduarda Araújo
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