• Marabá Diário

A descoberta de um poeta





"...pois não sabia pontuar um texto, mesmo assim a ideia era latente, então peguei a caneta e dei início ao rascunho; chamei no momento de UM TEXTO..."


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Nasci em 05/12/1971 na pequena cidade de São Sebastião do Tocantins TO. Filho de Justino Pereira dos Santos e Nercy Almeida dos Santos, ambos do Estado do Maranhão. Meu pai não foi alfabetizado, levou a vida migrando de um lugar para outro na tentativa da sobrevivência.


No 1980, ancoramos na cidade de Marabá, precisamente no bairro do Amapá. Em seguida subiram numa camionete tipo pau de arara rumo a vila Brejo do Meio. Para chegar a referida vila gastava-se um bom tempo de viagem; as estradas eram péssimas! Muitas ladeiras, coberta pelo verde das matas que deixavam as estradas úmidas e com muitos atoleiros. A família passou pouco mais de um ano no vilarejo, logo tomaram a decisão de morar de agregados em terras alheia, lugar de difícil acesso, distancia de vinte quilômetros, metade viagem tinha estrada, a segunda parte era estrada carroçal, via de acesso por onde os tropeiros escoavam a principal fonte de renda, a castanha do Pará. As pontes das estradas carroçais eram de pau a pico conhecidas por “mata burros”. O trajeto era longínquo e perigoso pela amplitude da selva. Fácil não foi para aquela família que ainda estava em fase de crescimento, parecia que nada dava certo, o combinado do patrão de sustenta-los por um ano, desmoronou e sobreveio nas necessidades. A malária assolava os novos moradores naquela época.


Mesmo assim, a família não parou de crescer, chegaram mais três irmãos. As dificuldades que não eram poucas, a garotada não frequentavam a escola. O patrão vendeu parte da propriedade e a outra parte entregou aos meus pais, em forma de pagamento de tempos de serviço. O novo proprietário usando de má fé documentou toda a área, nos deixando no olho da rua; minha mãe recorreu à justiça que obrigou o então dono pagar uma indenização no qual compramos uma chácara, nos livrando de morar de favor.

Tudo ia muito bem até surgi um fazendeiro que comprou todas as terras aos arredores; fez amizade com a gente, depois o dito, quebrou financeiramente passando a vender suas posses, após isso passou a nos perseguir querendo tomar nosso único bem, a chácara; chegou a contratar pistoleiros para tirar as vidas de meus pais. Mais uma vez tivemos que mudar de lugar e agora, fomos para a cidade grande.

Agora éramos dez irmãos, sem estrutura, o patriarca da família ganhava apenas um salário mínimo para sustentar a todos.

Quase despidos, sem calçados dignos, faltava até o material escolar. Os irmão mais velhos começaram a fazer alguns serviços para ganhar dinheiro e ajudar de alguma forma. Dos irmãos, apenas o mais novo pode se graduar.

Cursei até a terceira série na infância. Muito jovem, casei com Marlene Ferreira de Sousa, constituímos uma família de seis filhos. Sempre no trabalhando árduo da lavoura e nas fazendas, tirava o sustento de cada dia para sustentar minha família. Preocupado com a educação dos filhos resolvi então morar definitivo na zona urbana de Marabá. Em 2005, morando na cidade e sabendo das dificuldades para conseguir um emprego, decidi voltar estudar em 2011, no sistema EJA. Nessa época assistindo algumas matérias de jornais, soube da celebração do aniversário de Marabá que estaria fazendo um centenário. Sendo conhecedor da historiografia da região, passou um filme na minha cabeça, tive a ideia de escrever algo relativo e enaltecedor sobre a cidade que me acolheu. No momento me veio o pensamento negativo, pois não sabia pontuar um texto, mesmo assim a ideia era latente, então peguei a caneta e dei início ao rascunho; chamei no momento de “um texto”. Em 2013, era do centenário e o ano que eu adentrava o ensino médio; assim sendo na minha primeira aula mostrei o texto ao meu professor, um grande historiador que não deixou o manuscrito passar despercebido, no momento notei que ficou tenso e ainda me interrogou sobre a procedência do que eu lhe apresentei, falei que era da minha autoria e ele ficou na dúvida vindo a interrogar mais vez, respondi paciente que sim. Ele acreditou, me pediu que eu lesse o texto para a classe, tive dificuldade mas conseguir.

No final da aula me chamo em particular e perguntou se eu era um bom leitor? Disse a ele que não, lia apenas os exercícios da escola. Foi então que ele disse do texto que eu tinha produzido e classificou como poema.

O professor notificou a direção da escola sobre a descoberta de um poeta nato e imediatamente a diretora Katia pereira de oliveira, solicitou a minha presença na escola já para uma apresentação para o corpo docente e discente da mesma. Raimundo Nonato Barros e eu, fomos em todas as turmas, ele abria a fala e eu declamava o poema, era muitos os aplausos, minha história de vida parecia nascer ali. Meu professor passou a me estimular ainda mais.

Dias depois conheci duas pessoas maravilhosas, Claudia Borges e Marluce Caetano, elas foram importantes na minha divulgação e fizeram a ponte entre mim e outros artistas de vários segmentos. Em 2013, lancei o primeiro livro intitulado de Marabá Guaridas, daí não parei mais de escrever e publicar, escrevo em três gêneros, cordel, poema e contos; podemos contar dez obras carreira solo e a participação em dezenas de antologias poéticas.

A literatura de cordel me rendeu o prêmio de primeiro lugar e não paramos por aqui, meus escritos tornaram objetos de pesquisas em algumas universidades e tcc de vários acadêmicos. Também já foram inseridas nos cadernos escolares da rede municipal.

Tornei-me acadêmico em três Academias de Letras, sendo elas ALMA, ACADEMIA DE LETRAS DE MARABÁ, APL, ACADEMIA PARAENSE DE LITERATURA DE CORDEL E ALB, ACADEMIA SECCIONAL DE LETRAS DO BRSIL SUL E SULDESTE DO PARÁ. Tornei-me oficineiro nas escolas públicas e particulares.


"Para o poeta Adão, a poesia Preenche o seu coração."





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