• Marabá Diário

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"Viver é magnifico, porém lutar, fazer por merecer essa dádiva que é existir, é indescritível! Somos guerreiras, somos vitoriosas, somos à superação! Sabe porquê? Porque em nosso vocabulário, eu e minha filha desconhecemos a palavra DESISTIR."

Neia Lima





No final do sétimo mês de uma gravidez aparentemente tranquila eu lecionava na escola Deodoro de Mendonça, no final da aula fui acometida por um grande mal estar, uma enorme sensação de peso nas pernas impedia-me de sair do lugar. Então, permaneci paralisada na escada, os meus alunos ajudaram carregando-me até a diretoria. Meu marido foi comunicado e veio prestar-me socorro.


Às 13 horas chegamos ao hospital particular do nosso plano de saúde, assim que fui atendida foi solicitado uma ultrassom, o exame constatou que eu estava tendo um deslocamento de placenta, o irônico é que não apresentava os sintomas característicos, exceto pela paralisia das pernas. O descolamento de placenta é algo muito grave, pois coloca em risco a vida da gestante e principalmente a do feto, na ignorância da minha inexperiência por um momento acreditei que estava entrando em trabalho de parto.

Fomos direcionados ao médico que atendia na urgência para que pudéssemos compreender a situação e saber como deveríamos proceder, só não esperávamos sofrer tamanha violência. O médico que em seu juramento profissional assumiu o compromisso de salvar vidas nos dilacerou com sua frieza e falta de empatia.


Jogando os exames sob a mesa disse de maneira ríspida: Ocorreu um descolamento de placenta, há sangue preso dentro do seu útero, restam a você entre 30 à 60 minutos de vida até que haja uma infecção e o seu bebê não consiga mais respirar.


Ele continuou a despejar as informações falando: A criança têm apenas 1% de chance de sobreviver, se você for uma boa mãe vai liga para o seu obstetra para fazer uma cesariana para que, talvez a sua filha tenha a chance de respirar, porque a sua morte é inevitável.


Eu jamais tive dúvidas, escolheria a minha LEONNIE quantas vezes fosse preciso, entretanto, é lamentável passar por tudo isso dessa forma. Atordoados ligávamos incessantemente para o meu médico sem êxito algum.


Ao sermos levados para sala de medicação ao me redor as enfermeiras tentavam inutilmente disfarçar a preocupação toda vez que aferiam a minha pressão arterial. Elas me questionavam. Você está bem mãezinha? Tem certeza? E eu acenava com a cabeça afirmando que sim, eu ainda tentava assimilar a situação.


Cheguei a escutar as enfermeiras comentando que o médico que havia me atendido foi embora nervoso sem assinar o ponto (uma espécie de "frequência") do hospital, isso após saber que a gestante a qual ele atendeu estava com a P.A 23.9. Nesse caso, a paciente era eu, 23.9 significava para mim uma grande possibilidade de enfartar a qualquer momento.


Às 18:30 eu ainda estava recebendo medicação quando um médico se aproximou e disse: Senhora fique tranquila, o seu diagnóstico é descolamento de placenta, vou lhe encaminhar para Santa Casa de Misericórdia, aonde será melhor assistida e dará a luz ao seu bebê, a Sra. está bem e tudo vai dar certo.


Contrariando as expectativas sobrevivemos aos fatais 60 minutos.

Cheguemos a Santa Casa por volta das 19 horas no dia 13/12/2011 e fui internada com urgência, aparelhos foram conectados a mim para monitorar os batimentos cardíacos da minha filha, seu coração não poderia parar, pois significaria a nossa morte.


Medicações foram ministradas para fortalecer os seus pulmões e para conter o deslocamento, também foi necessário ficar em repouso. Então, no dia 17 de dezembro 2011 às 17 horas fui levada a sala de cirurgia, como nada nesse relato segue o padrão, para que a cesária fosse realizada precisei de três anestesias. Porém, antes a obstetra enfatizou os riscos de morte para nós duas.


Apeguei-me ao imenso amor e gratidão que é gerar e trazer ao mundo um ser. Aguarrado-me a maravilhosa sensação de poder ser mãe mentalizei, orei, emanei boas energias para minha filhinha.


Quando a retiraram dentro de mim senti um vazio, entretanto, foi tão emocionante ouvir seu choro, ainda a acalentei com doces palavras quando a puseram pertinho do meu rosto, eu disse a ela: Não chora minha pretinha. Mamãe tá aqui! Mamãe vai sempre estar aqui. Inesperadamente falta-me o ar, não conseguia mais abrir meus olhos, perdi a consciência.


No dia seguinte ao despertar a médica me diz: sua filha passa bem, está na UTI, nasceu pesando 1,315kg, com 38cm. Você esteve morta por 2 minutos, mas conseguimos trazê-la de volta senhora.


O amor venceu! Morri, dei minha vida para que minha amada Leonnie pudesse vir ao mundo. Superamos diagnósticos equivocados, a probabilidade de 99% contra 1% de esperança e aos 60 minutos que nos privaria dessa vivência tão significativa a qual chamamos de milagre, já você talvez a conheça como vida. Viver é magnifico, porém lutar, fazer por merecer essa dádiva que é existir, é indescritível! Somos guerreiras, somos vitoriosas, somos à superação! Sabe porquê? Porque em nosso vocabulário, eu e minha filha desconhecemos a palavra DESISTIR.


História de Neia Lima.


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" A vida é uma das maiores  escolas em que um individuo pode estudar. Pois, estudamos de forma integral, com aulas teóricas e práticas constantes, com professores rigorosos, e seu termino será somente quando acabar nosso ultimo fôlego de vida, enquanto tivermos  fôlego , somos estudantes ."

Adriana Araújo

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